1. Vão é aquele que põe a esperança nos homens ou nas criaturas.
Não te envergonhes de servir os outros por amor a Jesus Cristo, e parecer pobre neste mundo.
Não confies em ti mesmo, mas põe em Deus a tua esperança.
Faze o que puderes, e Deus favorecerá a tua boa vontade.
Não confies na tua ciência, nem na indústria de algum vivente: mas somente na graça de Deus, que ajuda os humildes e humilha os presumidos.
2. Se tens riquezas, não te glories delas, nem dos teus amigos por serem poderosos; mas de Deus, que tudo dá e sobretudo se deseja dar a si mesmo.
Não te desvaneças pela grandeza ou formosura do corpo, que com qualquer enfermidade se corrompe e afeia.
Não tenhas complacência na tua habilidade e engenho, para que não desagrades a Deus, de quem é todo o bem natural que tiveres.
3. Não te avalies por melhor que os outros: para que não sejas talvez tido por pior aos olhos de Deus, que conhece o que há no homem.
Não te ensoberbeças pelas tuas obras: pois que são mui diferentes dos juízos dos homens os de Deus, ao qual muitas vezes desagrada o que aos homens contenta.
Se tiveres algum bem, considera que os outros os têm maiores, para que assim te conserves em humildade.
Nada perdes se a todos te submeteres; mas grande mal é que te anteponhas, ainda que seja somente a um.
O humilde goza de continua paz; porém ao coração do soberbo muitas vezes domina a indignação e a inveja.
Nota: O que se exaltar será humilhado, e o que se humilhar será exaltado (S. Mat. 23, 21).
A soberba consiste no amor desordenado da própria estima: o soberbo quer subir sempre, ser admirado, respeitado e mesmo temido. Uma posição humilde contrista-o, um lugar obscuro tortura-o sente dentro de si um fogo que o devora; quer luzir aos olhos, embora tenha de sacrificar os deveres mais sagrados. Apresenta-se como ídolo aos olhos de seus irmãos, para que todos lhe queimem incenso. Que loucura! Como é que a terra e a cinza se ensoberbecem? A soberba é odiosa a Deus e aos homens (Ecc. 11, 7-9).
Não amamos a Deus, que é infinitamente amável, e amamo-nos a nós mesmos, até ao extremo de nos preferirmos a Deus! Nada temos que seja nosso, tudo devemos a Deus, e ousamos apresentar-nos como soberanos absolutos!
Um soberbo é um louco, em maior ou menor escala, por isso não reconhece a sua fraqueza.
Que um ateu seja soberbo, não é para estranhar, mas que um cristão, um discípulo de Jesus Cristo, se mostre ignorante da ciência da cruz, é uma anomalia.
Prostra-te aos pés de Jesus crucificado, contempla bem, desde a cabeça até aos pés, aquele teu mestre e resolve-te a imitá-lo. Não interponhas delongas em converter-te para Deus, e não defiras a conversão de dia para dia: porque de repente virá a ira do Senhor, e no mesmo tempo da vingança te perderá para sempre (Ecc. 5, 8-9).
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