1. Nas Escrituras santas deve buscar-se a verdade e não a eloquência.
Toda a Escritura santa deve ser lida com o mesmo espírito com que foi feita.
Nas Escrituras antes devemos buscar a utilidade que a subtileza.
Por isso de tão boa vontade devemos ter os livros singelos e devotos, como os alevantados e profundos.
Não te mova a autoridade de quem escreve se é de pouca ou muita ciência, mas obrigue-te a ler o amor da pura verdade.
Não procures saber quem o disse, mas atende ao que se disse.
2. Os homens passam; mas a verdade do Senhor permanece por toda a eternidade.
Por vários modos nos fala Deus, sem aceitação de pessoas.
A nossa curiosidade muitas vezes nos embaraça na lição das Escrituras quando queremos entender e esquadrinhar o que se devia passar singelamente.
Se queres aproveitar, sê humilde, singelo e fiel: e nunca desejes o nome de literato.
Pergunta de boa vontade e ouve em silêncio as palavras dos santos: nem te desagrades das sentenças dos velhos, porque não as dizem sem causa.
Nota: A constituição apostólica Officiorum ac munerum, de 25 de Janeiro de 1879, proíbe o uso da Sagrada Escritura, em língua vulgar: (*)
Sendo manifesto que, se a Bíblia em língua vulgar for autorizada sem discernimento, daí resultarão, por causa da imprudência dos homens, mais inconvenientes que vantagens, são absolutamente proibidas todas as versões em língua vernácula, inclusive as publicadas por católicos, se não houverem sido aprovadas pela Santa Sé, ou editadas sob a vigilância dos Bispos, com anotações tiradas dos Padres da Igreja e de escritores doutos ou católicos.
São também proibidas todas as versões dos Livros Sagrados, feitas por escritores não católicos, em qualquer língua vulgar - e nomeadamente as publicadas pelas Sociedades Bíblicas, que por mais duma vez os Pontífices romanos têm condenado, pois na edição destes livros têm sido absolutamente descuradas as salutaríssimas leis da Igreja.
São exceptuadas de tal proibição as pessoas que se aplicam aos estudos teológicos e bíblicos, contanto que as bíblias que lerem, em qualquer língua, não ataquem os dogmas da fé em prefácios ou notas.
É de todos os tempos este zelo da Igreja, em velar pela integridade da fé e boa conduta de seus filhos. A leitura é um alimento e nem todos os alimentos convêm a todos os estômagos. Devem evitar-se os maus escritos, como venenosos, e escolher de entre os bons os que melhor se amoldarem ao carácter e circunstâncias de cada indivíduo. Não nos deixemos arrastar pela curiosidade pueril de tudo ler e examinar.
Deus de misericórdia e bondade, divino Pastor das almas que vos dignastes instruir-me com a vossa palavra, dai-me as luzes necessárias para conhecer o mal que tenho feito e o bem que devo fazer; tornai-me dócil aos ensinamentos da vossa Igreja, em todos os dias da minha vida.
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